
O Margem Visual é pensado e realizado por mulheres negras artistas e pesquisadoras em artes visuais oriundas da Zona Oeste da cidade do Rio de Janeiro, que juntas formam o Mó Coletivo. São elas: Carolina Rodrigues, historiadora da arte e curadora de Bangu, e Mery Horta, artista visual, performer e curadora de Bangu/Pedra de Guaratiba.
O Mó Coletivo e a terceira edição do Festival Margem Visual: performance periférica foram idealizados a partir do encontro dessas três mulheres que trazem a perspectiva de estar à margem, distante das regiões centrais e, muitas vezes, do acesso a diferentes bens culturais e sociais. Passar horas a fio dentro de um trem lotado para chegar ao trabalho e pegar diferentes transportes para ter acesso a um dispositivo cultural são algumas das questões que fazem a pessoa oriunda da periferia ter um olhar diferenciado sobre as coisas do mundo, pois sua relação com o tempo e com a oferta de serviços é precarizada e diferenciada.
A escolha de realizarmos um festival com enfoque na performance é feita ao constatar que os artistas que trabalham com essa linguagem sempre encontram dificuldade na remuneração por seus trabalhos, tanto em exposições, quanto em eventos, que geralmente oferecem o espaço e a divulgação do trabalho do artista da performance, mas poucas vezes pagam algum tipo de cachê, ou valor pela obra apresentada.
